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domingo, 18 de agosto de 2013

Entrevista sobre o uso da Arteterapia em diversos contextos

O que é   a ARTETERAPIA
Desperte a criatividade com pérolas e brinquedos

Criança hiperativa 

Dicas para melhorar a convivência no lar

Como lidar com a dor, com o medo 

ARTETERAPIA: Um encontro com a materialidade das imagens e dos objetos na prática clínica

Assistimos desde o século XX a um grande acúmulo de conhecimento físico e tecnológico. Apesar dos bons frutos desse desenvolvimento científico, percebemos em paralelo uma fragmentação e um isolamento cada vez mais fortes do ser humano na relação consigo mesmo e com o mundo em que se encontra inserido. Como contribuir para a integração de partes da personalidade que normalmente são excluídas ao longo do processo cultural e educacional, de modo a resgatar aspectos fragmentados do psiquismo no sujeito contemporâneo?
Sabemos que a arte tem grande valor terapêutico, e a arteterapia, por sua vez, é uma disciplina baseada na concepção fundamental de que todo indivíduo tem uma capacidade inata para expressar seus conflitos interiores em formas e imagens visuais, auditivas, táteis, e poéticas, entre outras. Trata-se de uma modalidade de psicoterapia com recursos expressivos que estimula diferentes possibilidades de expressão ao longo do processo terapêutico para que o paciente possa estabelecer uma ponte entre seu mundo interno (subjetivo) e o mundo que o rodeia (objetivo). Isso porque a linguagem poética e expressiva permite ao indivíduo redescobrir a si-mesmo, e com tal descoberta, renovar-se na relação com o mundo.
O arteterapeuta pode trabalhar com diversos materiais das artes plásticas como por exemplo, papel, lápis, tintas, argila, carvão, e oferecer conhecimentos técnicos básicos para que o paciente possa lidar com esses materiais. Não é exigido do paciente talento artístico, pois o objetivo não é ensinar artes, no sentido usual, tampouco é emitido qualquer juízo crítico ou avaliação estética dos trabalhos criados pelo paciente. Qualquer pessoa pode tirar proveito desse processo: crianças, adolescentes, adultos, idosos, doentes mentais, dependentes químicos ou deficientes. Todos podem se beneficiar da possibilidade de se expressar de um modo livre, natural e intuitivo, exercendo o potencial humano da criatividade.
O paciente é levado pelo arteterapeuta a se soltar da maneira mais espontânea possível, rabiscando, colorindo, desenhando, modelando, enfim, criando imagens, poesia, música, de acordo com seus próprios recursos pessoais. Será por meio dessas atividades que poderá expressar seus sentimentos, pensamentos, emoções, atitudes, descobrindo aspectos seus que antes não estavam claros, reconhecendo-se no que saiu de si, e na materialidade dos elementos concretos colocados à sua disposição.
A arteterapia contribui, também, para a expressão verbal na psicoterapia. Comumente, o discurso dos pacientes no início do processo terapêutico encontra-se bloqueado para se referir às suas sensações, sentimentos, idéias e fantasias. Pelo uso da expressão criativa, o paciente começa a desenvolver a verbalização ao perceber o conteúdo afetivo associado às produções realizadas nas sessões terapêuticas. E desse modo, ao representar em imagens suas experiências subjetivas, seu discurso frequentemente se torna mais fluído, já que ele pode se expressar verbalmente com mais consciência sobre seu mundo psíquico.
A atividade expressiva, aliada ao trabalho de compreensão intelectual e emocional, facilita o encontro com as várias facetas da personalidade como um todo. Ao dar livre curso às imagens internas, o ser humano, ao mesmo tempo que as modela, transforma a si mesmo e ao mundo. (Texto baseado no livro "A arte cura?", 1995. Organizadora: Maria Margarida Carvalho).
            Nos vários textos dedicados por C.G. Jung ao tema "Psicoterapia", especialmente no volume 16 das obras completas, o autor ressalta a importância de deixar o paciente a sós, por assim dizer, com seu inconsciente, a fim de evitar uma intensificação da dependência em relação ao psicoterapeuta.
Para tanto, Jung enfatiza que o paciente deve ser estimulado a alcançar uma certa autonomia para lidar com as imagens do próprio inconsciente. Por isso a psicoterapia é proposta como um campo de experimentação, em que o paciente deve adotaruma postura ética frente às imagens do inconsciente, estabelecendo com elas um diálogo simétrico, de base fenomenológica, que se preocupa mais em perguntar "o que isso quer comigo" do que "o que isso quer dizer?".
Desse modo Jung propunha a expressão simbólica e o envolvimento ativo com a psique, inclusive sugerindo a seus pacientes que desenhassem, pintassem ou modelassem seus sonhos e outras fantasias. Nesse paradigma clínico, evidencia-se uma tentativa de des-centralizar o ego e promover uma experiência menos racional no contato com as figuras do inconsciente.
Quanto ao método psicoterapêutico da psicologia analítica, Jung retomou o sentido original do termo "dialética" para propor um "diálogo ou discussão entre duas pessoas, que ocupam posições simétricas no setting", sendo que dessa relação pode surgir um terceiro, ou síntese, que seria algo novo e diferente do que apenas a soma das partes. Desse modo, pode-se dizer que a psicoterapia junguiana se dá como "uma interação de sistemas psíquicos", modulada por múltiplas relações transferenciais e contratransferenciais.
Em relação ao terapeuta, Jung enfatiza uma postura especulativa, não-conceitual e não-interpretativa, pois supõe que o método diz respeito a um "confronto de averiguações mútuas", em que o terapeuta deve colocar em suspenso suas atribuições intelectuais e ativar, por assim dizer, o arquétipo curador no paciente. Por isso, a psicoterapia é sustentada numa perspectiva que leve o paciente a experienciar seus afetos e emoções, mais do que a nomeá-los ou interpretá-los racionalmente.
O terapeuta, então, se coloca numa postura de facilitador ou guia, que acompanha as sementes ou "germes criativos" da psique do paciente, ajudando-os a se desenvolverem, em oposição a uma postura médica tecnicista que visa apenas tratar e curar doenças. A própria noção de cura e doença é particular em sua psicologia, pois Jung vê na patologia uma tentativa inconsciente da psique se restabelecer, visto sua concepção teleológica ou finalista, que considera que o self tende a compensar ou complementar a atitude unilateral do ego.
Em seu livro de memórias, Jung (1963/1975) dedica um capítulo ao que chamou de "Confronto com o Inconsciente", onde narra algumas experiências vividas no período subseqüente à dissidência do movimento psicanalítico. Dentre essas experiências é digna de nota a descrição da "Imaginação Ativa", uma técnica que permitia a ativação de um jogo no campo da fantasia para que se desse um diálogo imaginativo com as figuras de seu inconsciente.
Jung reconhecia, com a técnica da imaginação ativa, que a abordagem às figuras da fantasia inconsciente devia ser orientada menos por seu significado conceitual e mais por seu aspecto relacional. Isto porque tais figuras imaginais não deveriam ser tomadas como representações de aspectos subjetivos da personalidade egóica, e sim como manifestações objetivas da psique inconsciente. A partir dessas experiências, ele adotou uma perspectiva fenomenológica em relação aos sonhos e a toda e qualquer produção inconsciente, afirmando que tais imagens não escondem, mas revelam, não representam, mas apresentam-se como alteridades à consciência.
Possivelmente, nenhuma outra clínica psicoterapêutica lance mão (literalmente) de tantos e tão diversificados recursos expressivos quanto a clínica junguiana. O que pode ser entendido como reflexo dessas considerações iniciais do período de auto-análise de Jung, estabelecidas por sua vez a partir de sua necessidade de dar às fantasias inconscientes uma expressão concreta por meio de pinturas e da modelagem (atualmente, este material pode ser consultado no Livro Vermelho, JUNG, 2010). Também por esta razão, poucas teorias se prestam tão adequada e profundamente a fundamentar a prática arteterapeutica quanto a psicologia analítica.
 Texto Santina Rodrigues (professora do IJEP)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A arteterapia o diálogo com o barro: o encontro com o criativo









"O trabalho com o barro mobiliza sensações, sentimentos e imagens, trazendo a possibilidade de uma nova descoberta, um resgate, um ressignificar da própria história. Um desbloqueio, um esclarecimento, um alívio!"
Regina Chiesa

arte em madeira "estranhamento"






Gehard Demetz

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Recursos arteterapeúticos


T É C N I C A S ARTE T E R A P Ê U T I C A S


TÉCNICAS EXPRESSIVAS PLÁSTICAS


Bonecos (marionetes) e encenação. O ancestral da marionete é o jogo mascarado do feiticeiro.As atividades não são exclusivamente plásticas. A representação teatral ocupa um papel muito importante. (É) uma maneira de cerrar um processo de elaboração simbólica.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)
Bordado. Representar símbolos com agulhas e fios permite literalmente "pegar o fio da meada" e dar presença e continuidade a uma ideia ou sentimento. Fazer o nó e passar o fio ponto por ponto firma internamente o propósito. O bordado tem também a vantagem de poder ser feito e desfeito, auxiliando nos processos de permissão de desconstrução e correção de rota.
Caixa de areia. Há a associação de um espaço delimitado (caixa), onde está contida a matéria (areia) e objetos, favorecendo o nascimento da representação de conteúdos profundos. (BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Colagem (de papéis diversos rasgados / cortados, tecidos e materiais orgânicos e outros)A colagem é uma atividade multiplicadora. Quando se trabalha com figuras previamente recortadas entra-se em contato com uma infinidade de símbolos muitas vezes sem consciência do seu significado. Colar é ligar uma coisa com a outra. Estabelece um vínculo.(BAPTISTA, Ana Luisa, in: Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)Se (os arte terapeutas) supervalorizam esse modo de expressão (...) com colagens surrealistas (cuja razão de ser é, deliberadamente, criar um efeito de surpresa provocadora) eles arriscam-se generalizar no ateliê. A posição (do arteterapêuta) situa-se, antes de tudo, em um registro de cuidados, ainda que a busca estética e criativa esteja, aqui, em permanência associada. Nessa técnica, a distância é mais difícil de ser estabelecida (...) e mais necessária que em qualquer outra técnica (pelo fato dos elementos “pré-fabricados” reutilizados em outros contextos).(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)
Costura com retalhos (Patchwork)Usado em arteterapia, nos revela verdades profundas sobre mudanças, que vão sendo costuradas para se obter o que se deseja na vida, em direção ao nosso crescimento. Em outras palavras, ajuda a estabelecer metas, a comprometer-se, a planejar e ter responsabilidade. Todos esses componentes (ajudam) a recompor todas as nossas partes formando um todo e tornando-nos inteiros.(SILVEIRA, Martha Magalhães da. Conversas em arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Desenho (com lápis, canetas hidrográficas, pincel atômico, giz de cera, pastel oleoso ou seco, carvão, tinta nanquim)Na maior parte do tempo os terapeutas interpretam o conteúdo imediato do desenho, a história que ele conta. Mas o que interessa ao arte terapeuta é o movimento que permite – o que impede – o sujeito de colocar em forma este conteúdo. As atividades propostas na arte terapia (...) tentam diminuir o rigor do desenho de base, colocar em desafio a sua lógica. (PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)É preciso olhar o mundo com um novo olhar e permitir tornar-se visível.(CRISTO, Edna Chagas; SILVA, Graça Maria Dias da. Criatividade em artetarapia: pintando e desenhando. Rio de Janeiro: SENAI, 2002.)
Desenho em quadrinhos. Conduz-nos ao domínio dramático das relações têmporo-causais. De um quadro a outro, alguma coisa se conserva (cenário, personagens) e alguma coisa se transforma. O sujeito tem a possibilidade inconsciente de escolher o que é possível dizer e o que é possível representar no vir-a-ser.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)
Escultura em arame. A estrutura em arame – material frio e resistente, que pode ser amassado, dobrado e cortado – traz o trabalho com ângulos e o reconhecimento dos limites. O arame se flexibiliza, mas com bastante dificuldade.(BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Escultura em madeira e pedra. O trabalho com o entalhe e a escultura em madeira e pedra impõe a obediência a partir da resistência do material, uma vez que não se pode voltar atrás no que foi retirado. Ao tirar trabalha-se o desapego. Faz-se necessário respeitar o que é determinante na matéria para utilizá-la.(BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Fotografia. (tradicional, alternativa e artesanal)Fotografias mostram o cenário no qual as atividades diárias, os atores sociais e o contexto sócio-cultural são articulados e vividos. As “narrativas visuais” (através de fotografias), devem portanto constituir-se como forma de diálogo entre o terapeuta e os sujeitos envolvidos no processo.(ARAÚJO, Doralice. A fotografia na arte terapia. Imagens da Transformação No. 10.)A fotografia traz a síntese do momento vivido. (BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Linoleogravura. Ela se aproxima à gravura sobre madeira, da qual se distingue somente pelo material, que induz um trabalho mais grosseiro. Esse trabalho deve ser executado com muito rigor. É uma das únicas técnicas onde o arteterapeuta não pode aceitar um projeto “aleatório”. A prova imprimida surpreende o sujeito, principalmente, pela inversão da imagem. Atividade cansativa que se desenvolve em um ritmo lento. (PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)
Mandala. Conduz para a ordenação do caos interior. (GOLINELI, Rinalda; SANTOS, Wanderley Alves dos. Arteterapia na educação especial. Goiânia, 2002.)Nos ajuda a recorrer a reservatórios inconscientes de força que possibilitem uma reorientação para o mundo exterior.(SOARES, Dulce Helena Pena et al. O uso de mandalas na orientação profissional. In Questões de arteterapia. Passo Fundo: UPF, 2004.)Ficou óbvio para mim que a mandala é o centro (...) É o caminho para o centro, para a individuação.(JUNG, Carl Gustav. Memórias, sonhos e reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.)
Máscaras (em gesso, em papelão, em papel machê)O sujeito que retranscreve na fabricação de sua máscara seus problemas de esquema corporal, beneficia-se, (...) não naquilo que a máscara transforma seu esquema, mas naquilo que ela transforma a imagem que os outros terão dele, quando estiver mascarado. A máscara constitui um lugar de síntese de dois mecanismos que estão na base do psiquismo: a projeção e a identificação. Ser como um outro e conservar-se em si mesmo. A máscara não oculta nada, salvo o que é muito conhecido.A fabricação da máscara inclui todos os aspectos da criatividade: a capacidade de organização perceptivo-motora, a integridade da imagem corporal, a compreensão (...) da lógica do espaço, a representação simbólica da (...) história da cultura e da história pessoal. (PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)Através das contribuições das máscaras ao processo arteterapêutico, os símbolos inconscientes transitam pela consciência.(SOUZA, Leila. A confecção de máscaras em arteterapia aplicada a crianças hospitalizadas. Imagens da Transformação No. 9.)
Modelagem em argila. A argila é um suporte a nossos afetos.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)As imagens criadas comunicam uma dimensão nova da pessoa. Quanto maior for sendo o contato com a argila, maior serão as possibilidades de percepção, melhor será o auto-conhecimento e, conseqüentemente, sua relação com o mundo, propiciando que a pessoa viva de forma mais criativa e integrada.(CARRANO, Eveline. A argila como instrumento terapêutico e expressão do imaginário. Imagens da Transformação No. 9.) A argila, outro símbolo da Grande Mãe, dá forma a conteúdos inconscientes. Mobiliza a parte sensitiva do sujeito de forma a possibilitar o contato com outras sensações diferentes do visual. Permite a construção tridimensional e possibilita a regressão, principalmente quando trabalhada de olhos fechados. Já quando se utiliza argila molhada, enlameada, escorregadia, possibilita-se a vivência da sensualidade do contato.(BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Modelagem em papel machê, massinha, massa plástica (farinha de trigo e sal)A possibilidade de fazer emergir algo que está plasmado de modo bidimensional traz a criação para um estado de concretização visual distinta e necessária para a compreensão de significados.(URRUTIGARAY, Maria Cristina. Arteterapia: a transformação pessoal pelas imagens. Rio de Janeiro: Wak, 2003.)
Monotipia. A prova imprimida surpreende o sujeito, principalmente, pela inversão da imagem, mas também por efeitos imprevistos de sobreposições de cores que, seguidamente, tomam conta do desenho. Pode ser praticada com interesse (...) com aqueles que são capazes de uma recuperação do acaso para ir em direção a uma apropriação.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)
Mosaico (de papeis coloridos e materiais diversos)Essa técnica deve ser proposta não com o objetivo de fragmentar uma imagem, mas de buscar as vibrações coloridas.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)
Pintura (com guache, aquarela, ecoline, pigmento líquido, cola com pigmento líquido, pigmentos naturais, nanquim)A forma está ligada ao movimento enquanto a cor é somente sensação. A forma apela à abstração, ao reconhecimento do objeto, enquanto a cor provoca a sensibilidade e a intuição. A forma evoca o gesto, a cor traduz a emoção.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)A pintura, como técnica utilizada em arteterapia, permite exercitar novas maneiras de olhar a nos mesmos e a tudo o que nos rodeia. É um dos caminhos mais interessantes para organizar e transformar sentimentos.(CRISTO, Edna Chagas; SILVA, Graça Maria Dias da. Criatividade em artetarapia: pintando e desenhando. Rio de Janeiro: SENAI, 2002.)A pintura espontânea oferece-nos a possibilidade de harmonizarmo-nos com uma ordem maior. Criamos uma certa fluidez entre o micro e o macro-cosmos. O essencial é que a pessoa sinta uma emoção forte e pinte isso, (...) deixando a emoção pura passar para a tela.(BELLO, Susan. Pintura espontânea. Imagens da Transformação No. 2)
Relevo em metal. A característica metafórica da atividade coloca em jogo conceitos opostos tais como: empurrar / fazer avançar, mostrar / esconder, côncavo / convexo, cheio / vazio, dentro / fora. Se ela pode ajudar o sujeito a integrar essas noções em sua vida cotidiana, também, pode, devido à reversibilidade da obra, criar uma confusão nos sujeitos frágeis.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)
Tear simples. Armá-lo traz a preparação para criar o instrumento que permitirá construir a própria história. Quando pronto, o tear oferece uma forma preestabelecida (moldura) que será preenchida de forma escolhida pelo sujeito. É, então, preciso separar os fios para integrá-los de uma nova maneira. Tecendo criam-se ligações nas linhas que se entrelaçam e vínculos nos nós.(BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Vitrais de papel. Trata-se (...) de deixar passar a luminosidade de maneira a construir, entre o lugar interior e o exterior, um limite e um diálogo. Trata-se de fazer penetrar a luminosidade através de um espaço estruturado, composto, que tem suas próprias leis.(PAÏN, Sara; JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia: a compreensão do sujeito. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.)


OUTRAS TÉCNICAS EXPRESSIVAS


Dança espontânea e expressão corporal. Nossa psique está registrada no corpo. Ao trabalhar o corpo nos conectamos diretamente com essa memória, trazendo lembranças de sensações e, às vezes, de conteúdos esquecidos. A expressão corporal tem como proposta favorecer experiências diversas que levem à consciência e ao conhecimento corporal, buscando a organização e a reorganização do movimento através da criatividade, tanto de forma individual como coletiva.(BAPTISTA, Ana Luisa. A expressão corporal na prática da arte terapia. Imagens da Transformação No. 10.)
Danças circulares. Resgatam a inspiração do homem primitivo em sentir a energia criadora da vida dentro de si, deixar brotar o movimento, ritmo, som, música, dança, e faze-lo em círculo, em interação com os outros membros da tribo, do grupo.(GOBERSTEIN, Mônica. Danças circulares: na roda, trocando barreiras por encontros. Arte-terapia: reflexões. Ano 4, no. 3.)
Escrita criativa. As palavras nomeiam sentimentos, emoções e pensamentos que acabam gerando outras palavras e novas imagens.(GUTTMAN, Mônica. A criação literária na arte-terapia. Arte-terapia: reflexões. Ano 3, no. 2.)
Música. Na ótica da arteterapia possui quatro funções: melhorar a atenção, vinculada ao treinamento do desenvolvimento motor e/ou cognitivo; estimular habilidades sóciocommunicativas; favorecer a expressão emocional; estimular a reflexão sobre a situação de vida da pessoa.(SBERSE, Ivânia Maria Nunes de Lima. A indisciplina e a importância da arteterapia: atividades musicais. In Questões de arteterapia. Passo Fundo: UPF, 2004.)O contato com sua musicalidade individualizada e inata, refletindo sua sensibilidade universal à música, leva, sem a necessidade de nada verbalizar, à elaboração de conteúdos internos de difícil exteriorização.(TORRES, Maria Cecília Araújo; GALLICCHIO, Maria Helena. Articulações entre educação musical e musicoterapia: recortes de pesquisas. In Questões de arteterapia. Passo Fundo: UPF, 2004.)
Teatro. O jogo dramático oferece meios para a libertação e a possibilidade de exercitar novos papéis. Favorece a afirmação da própria personalidade com menos sofrimento que outras modalidades expressivas. Atende ao desejo de participação em geral, de criar uma grande quantidade de símbolos e também de atingir a plenitude da criatividade.(VALADARES, Ana Cláudia. Teatro como recurso arteterapêutico para adolescentes portadores de deficiência mental. Imagens da Transformação No. 3)

RECURSOS TERAPÊUTICOS


Amplificação. A Amplificação da imagem, seja por meio do trabalho plástico, corporal, cênico ou literário, facilita a percepção de novos pontos de vista.Também as técnicas de associação, tanto verbal como plasticamente têm esse objetivo. (BAPTISTA, Ana Luisa. Círculo psico-orgânico e ciclos arquetípicos na arte terapia. Imagens da Transformação No. 9.)
Contos. As histórias são bálsamos medicinais. Não exigem que se faça nada, que se aja de nenhum modo – basta que prestemos atenção. A cura para qualquer dano ou para resgatar algum impulso príquico perdido está nas histórias.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O processo arteterapêutico na integração de equipes




Vale à pena ressaltar que no processo arteterapeutico em equipes para uma avaliação mais confiável é necessário uma observação mais contínua e considerar não apenas o fazer artístico do momento, mas o percurso ao longo do processo, uma que, uma atividade, um desenho, uma mandala, uma peça de argila traz uma atividade psíquica expressa no instante em que foi realizada, é vezes apenas uma ponta do iceberg, a continuidade traz informações, montando peça a peça do quebra cabeça da psique humana. Esse processo na equipe acontece a cada atitude, a cada escolha do recurso artistico e material, a cada olhar, a cada passo, a cada fazer artístico. Os frutos colhidos são inestimáveis, saberes de fontes inesgotáveis, proporcionando o contato íntimo e profundo com o material mais sublime do Universo: Os conteúdos internos - trazendo à tona uma imensidão de sentimentos, sensações, idéias inovadoras e poder, poder de encontrar-se, poder de aprofundar-se, poder de criar, recriar, fazer e refazer, modelar e remodelar, poder de aceitar a si, de aceitar o outro, poder de juntar as partes num todo, poder de unificar o ser humano nele mesmo, o individuo numa equipe, uma equipe no Universo. A arteteterapia na integração de equipes mostra-se um instrumento ativo, capaz de proporcionar momentos de auto-análises, levando o indivíduo a uma verdadeira viagem interior, entrando em contato com conteúdos especiais, inerentes a mitologia de cada um, capacitando um manuseio todo especial com esse material particular, primitivo e não-verbal, favorecendo as mudanças, as descobertas, as transformações, as adaptações, o autoconhecimento, produzindo significados e resignificando permitindo uma verdadeira elaboração desses significados. Mais do que modelar argila, desenhar e ornamentar mandalas, manusear materiais e recursos artísticos, explorar e brincar com os movimentos corporais, os sentimentos, sensações e conteúdos internos foram moldados, pintados, repintados, colocando em evidência o verdadeiro processo de crescimento e amadurecimento mental e emocional. O processo arteterapêutico em equipe (na equipe) evidencia seus frutos à medida que o indivíduo vai se conhecendo, se aceitando e aprendendo a lidar com seus conteúdos interno permitindo um olhar para o outro, modificando e aperfeiçoando seus relacionamentos, seja em sua equipe profissional, em sua família ou com o outro em geral. A integração e a saúde da equipe acontecece simultaneamente, ao passo que cada integrante experimenta mudanças, novidades e trabalha seu mundo interno, a equipe também vivencia mudanças positivas e significativas. Ao que no início apresenta-se apenas um grupo, que se reune muitas vezes, durante anos, quase todos os dias num ambiente de atritos constantes, falta de compreensão, acomodados na mesmice, na falta de motivação, embriagados de críticas e estresse; transforma-se em uma equipe. Uma equipe animada, não prefeita, mas conhecedora de suas fraquezas e munida de ferramentas, uma equipe fortalecida em meio às diversidades e adversidades, conscientes de suas limitações, assim como de seus pontos fortes. Uma equipe que aprende a valorizar sua mitologia pessoal, assim como a do outro, aprende a ouvir e ser ouvida, respeitar o espaço e o limite do outro e preencher as lacunas do dia a dia, com solidariedade e afeto - uma equipe integrada.o fazer arteterapêutico permite esse encontro, esse crescimento.( texto extraído do trabalho científico "O processo arteterapeutico na integração de equipes", autora Elisabete Tavares Affonso)

Benefícios da arteterapia


A Arteterapia tem como principal objetivo atuar como um catalisador, favorecendo o processo terapêutico, de forma que o indivíduo entre em contato com conteúdos internos e muitas vezes inconscientes, normalmente barrados por algum motivo, assim expressando sentimentos e atitudes até então desconhecidos.A Arteterapia resgata o potencial criativo do homem, buscando o psique saudável e estimulando a autonomia e transformação interna para reestruturação do ser. Propõe-se então, a estruturação da ordenação lógica e temporal da linguagem verbal, de indivíduos que preferem ou de outros que só conseguem expressões simbólicas. A busca da terapia da arte é uma maneira simples e criativa para resolução de conflitos internos, é a possibilidade da catarse emocional de forma direta e não intencional.

A arteterapia e os recursos artísticos

A Arteterapia baseia-se na crença de que o processo criativo envolvido na actividade artística é terapêutico e enriquecedor da qualidade de vida das pessoas. Por meio do criar em arte e do reflectir sobre os processos e os trabalhos artísticos resultantes, pessoas podem ampliar o conhecimento de si e dos outros, aumentar a auto-estima, lidar melhor com sintomas, stress e experiências traumáticas, desenvolver recursos físicos, cognitivos, emocionais e desfrutar do prazer vitalizador do fazer artístico. As linguagens plásticas, poéticas e musicais, dentre outras, podem ser mais adequadas à expressão e elaboração do que é apenas vislumbrado, ou seja, esta complexidade implica na apreensão simultânea de vários aspectos da realidade. Esta é a qualidade do que ocorre na intimidade psíquica; um mundo de constantes percepções e sensações, pensamentos, fantasias, sonhos e visões, sem a ordenação moral da comunicação verbal do cotidiano.Uma obra de arte consegue, por si só, transmitir sentimentos como alegria, desespero, angústia e felicidade, de maneira única e pessoal, relacionadas ao estado espiritual em que se encontra o autor no momento da criação. A utilização de recursos artísticos (pincéis, cores, papéis, argila, cola, figuras, desenhos, recortes, etc.) tem como finalidade a mais pura expressão do verdadeiro self, não se preocupando com a estética, e sim com o conteúdo pessoal implícito em cada criação e explícito como resultado final. Contudo, as técnicas de utilização dos materiais, acima citados, são para simples manuseio dos mesmos, e não para profissionalização ou comercialização.

Arteterapia e jung


Para Jung, a arte tem finalidade criativa, e a energia psíquica, consegue transformar-se em imagens e através dos símbolos, colocar seus conteúdos mais internos e profundos. De acordo com o pensamento junguiano, deve-se observar os sonhos, pois são criações inconscientes que o consciente muitas vezes consegue captar, e junto ao terapeuta pode-se buscar sua significação.No volume XI de Obras Completas de Freud, ele relata que freqüentemente experimentamos os sonhos em imagens visuais, sentimentos e pensamentos, sendo mais comum na primeira forma. E parte da dificuldade de se estimar e explicar sonhos deve-se à dificuldade de traduzir essas imagens em palavras. Muitas vezes, quando as pessoas sonham, dizem que poderiam mais facilmente desenhá-los que escrevê-los. De acordo com escritos freudianos, as imagens escapam com mais facilidade do superego do que as palavras, alojando-se no inconsciente e por este motivo o indivíduo se expressa melhor de forma não verbal. A necessidade da comunicação simbólica origina-se deste pressuposto, como forma de auto-conhecimento no tratamento terapêutico.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Arteterapia é um processo terapêutico que se serve do recurso expressivo a fim de conectar os mundos internos e externos do indivíduo, através de sua simbologia. Variados autores definiram a Arte terapia, todos com conceitos semelhantes no que diz respeito à auto-expressão. É a arte livre, unida ao processo terapêutico, que transforma a Arte terapia em uma técnica especial.A Arteterapia distingue-se como método de tratamento psicológico, integrando no contexto psicoterapêutico mediadores artísticos. Tal origina uma relação terapêutica particular, assente na interacção entre o sujeito (criador), o objecto de arte (criação) e o terapeuta. O recurso à imaginação, ao simbolismo e a metáforas enriquece e incrementa o processo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

CALATONIA


O que é a Calatonia:

A Calatonia é uma técnica de relaxamento profundo que leva à regulação do tônus, promovendo o reequilíbrio físico e psíquico do paciente. Essencialmente falando a Calatonia baseia sua atuação na "sensibilidade táctil", através da aplicação de estímulos suaves, em áreas do corpo onde se verifica especial concentração de receptores nervosos.

Origem do Método:A técnica foi criada por Pethó Sándor, um médico húngaro que radicou-se no Brasil desde 1949 (até seu falecimento em 1992) aqui desenvolvendo trabalhos clínicos, de pesquisa iniciados quando ainda vivia na Europa na época do pós-guerra.
Áreas de aplicação:Desde 1950 a Calatonia vem sendo utilizada no Brasil, por vários profissionais, em especial nas áreas de saúde e educação (Psicólogos, Médicos, Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas, Massoterapeutas, Fonoaudiólogos, Educadores, entre outros) em vários contextos, a saber: consultórios, hospitais, pré-escolas, centros de saúde mental, etc.

Descrição do Procedimento Básico:O procedimento básico da Calatonia consiste em uma série de 9 toques que o terapeuta realiza na área dos pés: em cada um dos artelhos, em dois pontos da sola dos pés, calcanhares; tornozelos além de mais um toque no início da barriga das pernas. Pode ser acrescido do décimo toque, conhecido como Calatonia da cabeça, aplicado na nuca (região occipital). Estes toques são feitos em silêncio, de forma simples e suave, durante 2 a 3 minutos em cada um dos pontos citados.

O que são os Toques Sutis:
Os Toques Sutis são as numerosas modalidades de trabalhos corporais desenvolvidos por Pethö Sándor a partir dos mesmos princípios da Calatonia. Da mesma forma como na Calatonia, os Toques Sutis utilizam-se do alto potencial da sensibilidade cutânea, para proporcionar vivências multissensoriais, ou seja: os estímulos utilizados se fazem sentir tanto a nível físico quanto psíquico, atuando sobre a totalidade do organismo de modo reestruturador. Estes toques, ou seqüência de toques, são aplicados em diferentes partes do corpo onde se localizam articulações, determinadas áreas com extensa sensibilidade nervosa e/ou circulatória, áreas com acesso a processos ósseos, etc. Os critérios de escolha de tais "pontos de toque", ou estimulação, variam caso à caso, em função do histórico e evolução do processo psicoterápico.

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